25 maio 2009

# 333 - Motonáutica em Valada

Valada, Cartaxo, 24Maio2009

Piloto: Tiago Évora

Equipa: Number One

23 maio 2009

# 332 - Goraz

Tomar, 22Maio2009
Foto captada em Tomar
Goraz
É pequeno, encorpado, caça de noite em pauis, passando o dia, com frequência, em dormitórios comunitários. As suas presas consistem em insectos, peixes, rãs e, por vezes, aves ainda em ninho. Emite um chamamento profundo e crocitante.
Ninho
Uma plataforma de galhos, frágil, numa árvore, arbusto ou juncal.
Distribuíção
Pela maior parte do Mundo, exceptuando o Norte da América do Norte, Eurásia e Austrália. Nidifica em Portugal.
Fonte: Aves do Mundo, Bertrand Editora

16 maio 2009

# 329 - "Aos 95 Anos o que mais me custa é caiar os Tectos"


Faleceu a D. Fernanda Rodrigues Alcobia
Aqui fica o artigo publicado no Jornal "Voz de Alpiarça" de Outubro de 2008

Texto: Ricardo Hipólito
Foto : Vitor Lopes

Aos 95 anos
“O QUE MAIS ME CUSTA É CAIAR OS TECTOS”



Não sabemos se se tratará de um caso raro em Portugal, mas o que é certo é que uma alpiarcense, a caminho da bonita idade de 96 anos, de seu nome Fernanda Rodrigues Alcobia, ainda caia as suas casas e só nesta época de caiações é que falhou o arranjo dos tectos.
“Já caiei a minha cozinha e o que mais me custa é caiar os tectos”. Assim começou a conversa com a Dª Fernanda, ao fim de tarde, num dia de Verão.
Mas não se pense que tal acontece devido a medo das alturas. Não senhora! “Não é por andar em cima da escada, é mais por causa da minha espinha”, remata.
“Todos os anos tenho caiado as minhas casas, os tectos e tudo. Este ano não fui capaz. Já falei a umas poucas, mas ninguém me aparece”.
Com os seus 95 anos, para além dos feitos atrás relatados, frequentemente vai lá “abaixo”, apoiada na sua bengala. Ao correio, à praça ou onde mais for preciso.
“Anteontem fui aos correios. Sentei-me ali onde estão aquelas coisas para as pessoas se sentarem. Disse cá para comigo: ´Deixa-me aqui sentar um bocadinho, estou cansada, tenho tempo de lá chegar´”.
A sua voz é clara, a audição a fazer inveja a muitos com umas dezenas de anitos a menos, só a vista é que já não é o que era, por via de uma operação a um olho. Agora já tem mais dificuldade em costurar. Já não é fácil vê-la sentada, junto ao portal, ali quando a ribeira faz esquina com a rua que nos leva até ao Vale do Rato.

APRENDIZ DE JOSÉ VALÉRIO

A arte de costurar foi iniciada há mais de 80 anos. Tinha a D.ª Fernanda uns doze anos. Começou a sua aprendizagem em casa de José Valério. “Comecei a ganhar ao fim de ano e meio, a 15 tostões por dia, quando fiz umas calças, pois sim”.
Esteve lá até casar, a fazer roupa de homem. Coletes e coisas assim. Saiu quando foi operada a um rim.
Foi substituída e quando regressou à costura foi trabalhar para a Joaquina Ramos. “Ganhava muito poucachinho, a fazer calças. Quando casei, com 19 anos, fui trabalhar também para o campo. Ganhava um bocadito mais. Foi com esse dinheiro que juntei que acimentámos as casas. Isto era tudo chão, ó pois andava muito triste por isto ser de chão, sujava a roupa toda”.
Trabalhava de dia no campo e costurava à noite, muitas vezes pela noite fora.
“Uma vez cheguei a casa e o meu Jaime disse-me que a Joaquina Saragoça tinha ido daqui toda danada comigo, porque eu ainda não tinha feito umas calças para o marido. Depois de arrumar as minhas coisas, fui-me pôr às calças, quando eram 6 da manhã já estavam acabadas. À luz do candeeiro!”

MUITA GENICA

Aos 95 anos vai de quando em vez, não só aos correios, à praça ou à farmácia, mas também à loja dos “300”. Faz a lida da casa e cuida de meia dúzia de galinhas. Amassa as sêmeas e mais do que trabalho, é, concerteza, um entretém.
A genica, naturalmente, já não é o que era há uns poucos de anos atrás. O corpo, às vezes, vai-lhe pedindo descanso. “Às vezes levanto-me cedo, mas acabo por me ir deitar outra vez”.
Tanta genica que já lhe trouxe umas arrelias. “Andava a caiar aquele barracão e passam três “gaivotas”, que me começam a descompor por eu andar em cima da escada. No fim de se irem embora, fui lá para dentro e fartei-me de chorar. Mas que mal é que eu lhes fiz para me descomporem?”

A PROFESSORA BATIA MUITO ... FAZIA ELA BEM

Não aprendeu a ler. A sua escola, como para tantas companheiras da sua bogalhada, foi a da vida cheia de trabalho.
Em criança, acarretou muita água com quartas à ilharga, desde a “Cerca”, à (agora) entrada da vila, quando se vem de Vale de Cavalos – bem fora de Alpiarça no início do século passado – para o “mestre” Valério, que só bebia daquela água, a melhor que então havia.
Também para as professoras da escola “régia”, fez esses carregos, mas bem mais de perto, de um poço do José Guardado. Por “mor” dessas carreiras no acarreto de água, “com a quarta à cintura é que dei cabo do meu rim”.
“Depois, a professora batia muito e eu disse: ´Oh minha mãe, eu quero antes ir para a costura´. A Maria Andrade era muito ruim, porque a gente não aprendia e ela batia ... fazia ela muito bem!”.
A passos largos de um século de vida, se a memória da Dª Fernanda, aqui e ali, tem alguma falha, não deixa, no entanto, de ser assinalável quando passamos em revista episódios ou vivências da nossa terra.
“Havia cá um tenente que era tão boa pessoa, pois era! Ele punha as pessoas em fila para a gente ir buscar açúcar, arroz e coisas assim. Mas depois mataram-no. Nunca me esqueço do dia. Foi a 29 de Maio.”
Mas a vida não era só trabalho.
“Fui muita vez ao cinema, naquilo da Maria Florindo. Fui ver “A Fonte dos Amores”. Mesmo sem saber ler as legendas, afiançou-nos que foi uma fita muito bonita. Também as exibições de companhias de teatro e umas idas a bailes, abrilhantadas pelo Anselmo Guerra, não lhe escaparam, assim como as passeatas, em 5ª feira da Ascensão, até à Gouxa.

QUOTIDIANOS

A conversa foi depois parar a outros quotidianos.
Falámos de comeres mais frequentes. “Eram couves com feijão, nabos com feijão, arroz e feijoca, sardinhas fritas, havia sempre sável com fartura, dantes havia muito, agora é que não. Um dava-me para três ou quatro dias. Vinham aí muitas varinas, do Patacão, vinham às portas”.
Percorremos o comércio de então. Das lojas e mercearias da Maria Azeiteira (onde se aviava) e do José de Souza à do Flores e do Virtuoso (“à quina do jardim”). Não faltaram também as lojas do Adelino e dos seus primos Pinhões, a do Ventura Canha, mais a sua taberna. E as padarias, de Joaquim Duarte ou do Manuel “espanhol” e do irmão, “ao pé do Fino”.
Os avios e os fiados.
Retornámos às lembranças de vidas difíceis, dificultadas ainda mais quando a doença batia à porta. Foi o rim e a febre tifóide, quando tinha 17 anos. “Estive muito mal, até pensaram que eu morria”.
Não tinha dinheiro, as pessoas, coitadinhas, é que me ajudaram. Umas deram 5 mil réis, outras, 2 mil e houve um rapazinho, o Júlio Cinturão, que aqui mandou 20 escudos, muito dinheiro naquele tempo”.
“Tive uma vida sempre muito apoquentada, a trabalhar como uma negra”.

DANTES, ERA ASSIM

O marido, Jaime Eugénio, apreendeu o ofício de sapateiro com o Viana. Mas tarde, montou a sua própria oficina. Consertava não só calçado, como fazia botas. Mas a vida de sapateiro estava cada vez pior. Pôs-se a vender carvão, porta à porta.
E já que estamos a falar sobre o “seu” Jaime, que tal abordar os tempos de namoro, quase sempre ricos em episódios, que hoje nos fazem, pelo menos, sorrir?
Naquele tempo não havia por aí um beijo dado às escondidas ou umas mãos dadas, perguntámos.
“Nada, olá! O meu Jaime, uma vez, deu-me um beijo e dei-lhe logo uma estalada. Dantes era assim. Namorava-se ao Domingo e à 5ª”. Com o pretendente do lado de fora, à janela ou ao postigo da porta.
“Se uma rapariga namorasse, nem que fosse só um dia, e depois não casasse, nunca mais ninguém a queria”. Tempos!
À despedida, comprometemo-nos a arranjar alguém para acabar as caiações. Cumprimos.
“Apareça mais vezes, gosto muito de falar consigo”. Também nós.

03 maio 2009

# 325 - Portugal vai reconstruir Castelos no Irão

01Maio2009
39º09'49.17" N
09º21'19.77" W
Esta imagem bem podia ser no Irão, mas não é.
Custa aceitar que dinheiro dos contribuintes vá ser usado na reconstrução de Castelos no Irão, quando em Portugal existe imenso património a precisar desses dinheiros, como é o caso em apreço na foto "CONVENTO DE PENAFIRME" do Século XVI, situado perto da praia de Stª. Cruz.
Em http://www.presstv.ir/detail.aspx?id=91451, pode-se constatar que existe um acordo entre Portugal e o Irão para a recuperação de Castelos que foram deixados pelos nossos compatriotas, quando "estacionados" no Golfo Pérsico.
Não que seja radical ao ponto de ser contra, mas o mesmo aplico ao "Vá para fora cá dentro", não se esqueçam do nosso património, "Ajudem lá fora, mas preservem cá dentro".
Quanto ao convento, podem aceder em:

02 maio 2009