19 junho 2007

# 129 Camões é um Poeta Rap


Alpiarça, 30Abril2007


Camões é um Poeta Rap


Camões é, por unanimidade, reconhecido como um nome maior das letras e cultura portuguesas, cujas asserções poéticas, linguísticas e filosóficas continuam pertinentes na actualidade. No entanto, aquele que “... viveu pobre e miseravelmente/ e assim morreu” apesar de ter presença obrigatória merece nos Programas de Português – numa fase de percepção linguística que poderemos considerar de tardia – continua a suscitar nos jovens uma aversão quase epidérmica – que os docentes, muitas vezes, não conseguem evitar.
Abordado na escola, na esmagadora maioria dos casos, através do acinzentado estudo analítico de forma e conteúdo, é a nossa pátria – a Língua Portuguesa, parafraseando Pessoa – que perde uma oportunidade ímpar de se impor culturalmente numa sociedade agredida e conquistada dia a dia pela massificação que a poderosa indústria dos diversos media estimula e concretiza.
Camões É Um Poeta RAP é um evento performativo e musical - com a qualidade literária do génio de Camões - concebido para pequenos auditórios, espaço de café-concerto, livrarias, cafetarias - pois pretende-se manter uma relação próxima com o público.
No entanto, tem conseguido manter essa proximidade emocional com o público, sempre que solicitado a apresentar-se em Plateias de salas de Teatros.
Assenta num conceito inovador que aproxima a Lírica do grande poeta à nossa vivência contemporânea, através dos ritmos rap e hiphop, conciliando o público com a mestria da Língua Portuguesa. Camões É Um Poeta RAP teve a sua estreia em Beja, a 23 de Abril de 2005, no DIA MUNDIAL DO LIVRO – e a audiência presente na Cafetaria da Biblioteca Municipal José Saramago, rendeu-se à abordagem desta performance.
A performance terminou em apoteose, com o público a “rappar”, em uníssono, as primeiras estrofes de OS LUSÍADAS.
O delírio, porém, ocorreu no Rio de Janeiro, a 29 de Julho, com uma assistência emocionada por reencontrar as suas raízes linguísticas e culturais. O enorme impacto desta abordagem fez com que a Performance tivesse de ser repetida a 30 de Julho.
Nesse ano regressaríamos ao Brasil, para o encontro de Literatura Portuguesa em Cabo Frio.
E a Performance poética – envolvida pelas propostas vídeo e sonora - não tem parado, desde então.
Esta tem sido uma Performance que deixa a marca da emoção no público.
De facto, o público apercebe-se, nesta hora de partilha com as palavras ditas pela performer, das duras condições de vida do “Príncipe dos Poetas”, e de como Camões, o homem, transforma o infortúnio e o desespero em energia criadora - de que a força mental que extravasa no conjunto dos seus poemas é um exemplo de vida que resiste ao passar do tempo.





4 comentários:

Laura disse...

Camões sempre Camões, o génio imortal que soube escrever como ninguém os Lusíadas, mas chamaremlhe poeta de rap? ehhhh, beijinhos..

Ligeia disse...

Hola Alberto! parece que el arte ronda a los Poetas...

meia aliança disse...

Acho muito válido usar o RAP ou o que quer que seja para incentivar os jovens a conhecerem Camões.

Ana S. disse...

É uma ideia original!
Nunca é demais dar a conhecer as obras dos nossos grandes poetas.
Beijos